Por que algumas clínicas crescem enquanto outras travam?
Essa é uma das perguntas mais relevantes no atual momento da estética no Brasil.
Depois de anos de expansão acelerada, o mercado entrou em uma nova fase: mais competitivo, mais profissional e, principalmente, mais exigente. Técnica já não diferencia. Estrutura bonita também não. E depender apenas de redes sociais se tornou um risco.
É nesse cenário que surgem modelos que tentam romper com o padrão tradicional de clínica estética, como a Odara Lifestyle.
Fundada em 2020, a marca nasce com uma proposta diferente: integrar estética, saúde e bem-estar em um conceito mais amplo de lifestyle. Em poucos anos, avançou para o modelo de franquias e passou a chamar atenção pelo posicionamento e pela proposta de experiência.
Para entender o que está por trás desse crescimento, e o que isso revela sobre o futuro do setor, conversamos com Isabella Barros, CEO da Odara Lifestyle.
“Ainda havia espaço?” A tese por trás do negócio
A Odara nasce em um momento em que o mercado de estética já apresentava forte crescimento no Brasil. Ainda assim, havia uma oportunidade que não estava no procedimento, mas na forma de enxergar o negócio.
“Eu nunca acreditei que estava entrando só no mercado de estética. Pra mim, sempre foi sobre bem-estar de forma mais completa.”
Segundo Isabella, o problema não era a falta de serviços, mas a forma como eles eram oferecidos.
“Quando eu olhava o mercado, via muitas clínicas oferecendo procedimentos, mas poucas realmente cuidando da pessoa como um todo.”
A partir disso, nasce a tese da marca: não ser mais uma clínica, mas um espaço onde estética, bem-estar e experiência convivem de forma integrada.
“E, principalmente, onde o cliente não vai só fazer um procedimento. Ele vai se sentir melhor de verdade.”
Experiência não é discurso, é operação
No mercado atual, “experiência” se tornou uma palavra comum. Mas, na prática, poucos negócios conseguem sustentar isso de forma consistente.
Para Isabella, o erro está em tratar experiência como comunicação, e não como estrutura.
“Sustentar experiência não tem a ver com discurso, tem a ver com operação.”
Na Odara, isso passa por decisões que nem sempre são visíveis para o cliente, mas que sustentam a percepção de valor: treinamento, padrão de atendimento, ambiente e a forma de conduzir a jornada do cliente.
Mas existe um ponto ainda mais crítico: cultura.
“Não adianta falar de bem-estar se quem está ali atendendo não vive isso.”
No fim, tudo se resume a consistência.
“Não é sobre fazer algo incrível uma vez. É sobre fazer bem, todos os dias.”
Crescer rápido sem perder o controle
Poucos anos após a fundação, a Odara iniciou sua expansão por meio de franquias, um movimento que exige maturidade operacional.
“A segurança veio muito mais da visão do que do tempo.”
O modelo, segundo ela, já nascia com potencial de escala por não depender apenas de tecnologia ou de um serviço específico.
“Ele era baseado em conceito, experiência e possibilidade de adaptação.”
Mas o crescimento trouxe aprendizados importantes, especialmente na operação.
“Se eu tivesse que apontar um erro, diria que no começo a gente subestimou o quanto a operação precisa ser bem estruturada antes de crescer.”
Porque, no fim, franquia não é apenas vender uma marca, mas garantir que aquilo funcione bem na ponta.
A estética virou commodity?
O crescimento acelerado do setor trouxe um efeito colateral: a comoditização de serviços.
Hoje, o consumidor tem mais opções, mais informação e menos tolerância para experiências medianas.
“Hoje, o diferencial não está mais no procedimento. Tecnologia todo mundo tem. Preço todo mundo consegue ajustar.”
O que passa a diferenciar, segundo Isabella, é outra camada do negócio: experiência, posicionamento e visão de negócio.
“É entender que você não está vendendo um serviço. Você está construindo percepção.”
Essa percepção não vem de um único ponto, mas do conjunto: ambiente, atendimento, comunicação e consistência.
“Quem entende isso sai da guerra de preço. Quem não entende, vira mais um.”
Movimento não é lucro
Um dos maiores desafios das clínicas brasileiras ainda está na gestão.
É comum encontrar negócios com agenda cheia, mas com baixa lucratividade e pouca previsibilidade.
“Clínica cheia não significa clínica saudável.”
O que separa uma operação sustentável de uma instável é, essencialmente, gestão.
“É entender custo, margem, fluxo de caixa, precificação e, principalmente, ter estratégia de venda.”
O problema é que muitos negócios operam sem clareza sobre seus próprios números.
“Muita gente enche agenda, mas não sabe o quanto está ganhando em cada serviço.”
Além disso, falta estrutura comercial.
“Não tem processo comercial estruturado, não trabalha recorrência, não acompanha indicadores.”
No fim, tudo converge para um ponto central.
“Saúde financeira vem de clareza. E clareza vem de gestão.”
Um novo momento do mercado
A história da Odara Lifestyle não é apenas sobre uma marca em crescimento. Ela representa um movimento maior: a transformação do mercado de estética em um setor mais estratégico.
Hoje, técnica é o básico. O que define crescimento é visão de negócio, posicionamento e consistência.
Para os profissionais da área, o recado é claro.
O mercado evoluiu. E continuar operando como antes já não sustenta crescimento.
