O avanço das chamadas “canetas emagrecedoras” no Brasil começa a redesenhar não apenas o mercado farmacêutico, mas também o setor de saúde estética. O crescimento acelerado do uso de medicamentos à base de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, já provoca reflexos diretos na procura por tratamentos voltados à flacidez facial e corporal, uma consequência frequentemente associada ao emagrecimento rápido.

Nos bastidores da estética, clínicas e indústrias acompanham o movimento com atenção. A percepção é de que uma nova categoria de pacientes está sendo criada: pessoas que conseguem reduzir peso corporal com maior velocidade, mas passam a buscar abordagens voltadas à recuperação da firmeza, contorno e qualidade da pele. 

Mercado de GLP-1 cresce e acelera transformação do setor

Dados de mercado apontam que o segmento de medicamentos GLP-1 movimentou cerca de R$ 5 bilhões no Brasil em 2024. Relatórios financeiros e análises do setor estimam que esse volume possa ultrapassar R$ 10 bilhões em 2025, impulsionado pela ampliação do acesso, popularização do tratamento e expectativa de entrada de versões genéricas nos próximos anos.

Na prática, o crescimento acumulado da categoria nos últimos dois anos já supera 150%, consolidando as canetas como um dos fenômenos recentes mais relevantes da indústria farmacêutica global.

A tendência também é sustentada pelo avanço da obesidade no país. Segundo dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), mais da metade da população adulta brasileira apresenta excesso de peso.

Embora não existam números oficiais sobre quantos brasileiros já utilizaram medicamentos injetáveis para emagrecimento, estimativas de mercado indicam que entre 1,5 milhão e 3 milhões de pessoas já tiveram contato com esse tipo de tratamento desde sua popularização.

Da perda de peso à busca por firmeza da pele

O impacto no setor estético vem justamente da velocidade do emagrecimento. Em muitos casos, a redução de gordura corporal ocorre em um ritmo superior à capacidade de adaptação da pele, favorecendo quadros de flacidez facial e corporal.

Entre os sinais mais relatados por pacientes estão:

  • perda de sustentação facial;
  • aparência mais envelhecida;
  • flacidez abdominal;
  • alterações em braços, coxas e glúteos;
  • piora da textura da pele.

Esse movimento já começa a elevar a demanda por protocolos de bioestimulação de colágeno, ultrassom microfocado, radiofrequência, lasers e tratamentos regenerativos.

Profissionais do setor relatam aumento principalmente na procura por tratamentos faciais voltados à recuperação de contorno e firmeza, fenômeno que alguns mercados internacionais já passaram a chamar informalmente de “face pós-GLP-1”.

Tratamentos pós-caneta ampliam ticket médio nas clínicas

Além de gerar nova demanda, o fenômeno também vem aumentando o ticket médio de clínicas de estética e saúde integrativa.

Hoje, protocolos pós-emagrecimento envolvendo tecnologias e bioestimuladores podem variar de R$ 6 mil a mais de R$ 25 mil, dependendo da quantidade de áreas tratadas, intensidade da flacidez e associação de procedimentos.

Entre as tecnologias e abordagens mais procuradas no pós-emagrecimento estão:

  • ultrassom microfocado;
  • bioestimuladores de colágeno;
  • radiofrequência;
  • tecnologias regenerativas;
  • lasers;
  • microagulhamento;
  • protocolos combinados para firmeza e qualidade da pele.

Mais do que a tecnologia isolada, profissionais do setor destacam que o resultado depende da associação estratégica entre diagnóstico, protocolo e acompanhamento clínico individualizado.

Na avaliação de clínicas, o diferencial está no fato de que esses pacientes tendem a permanecer mais tempo em acompanhamento.

Protocolos completos podem durar entre três e doze meses, especialmente em casos de grande perda ponderal, criando recorrência e continuidade de tratamento.

Tendência estrutural ou bolha?

Apesar do forte crescimento, especialistas avaliam que o mercado deve passar por uma mudança de comportamento nos próximos anos.

A expectativa é de que a “euforia” em torno das canetas diminua gradualmente, mas sem representar necessariamente queda de demanda. O cenário mais provável é de amadurecimento do setor, redução de preços e aumento do acesso ao tratamento.

A entrada futura de genéricos e biossimilares pode acelerar ainda mais a popularização dos medicamentos, ampliando o número de pacientes em tratamento e, consequentemente, o impacto indireto sobre a estética.

Para clínicas e indústrias do setor, o momento é visto como estratégico.

Mais do que uma tendência passageira, o avanço dos GLP-1 começa a consolidar um novo perfil de consumidor: pacientes que emagrecem mais rápido, mas passam a buscar na estética a recuperação da firmeza, naturalidade e harmonia corporal após a perda de peso.

O movimento também reforça uma transformação já percebida por clínicas premium: o paciente deixa de buscar apenas redução de peso e passa a procurar recuperação de firmeza, contorno corporal e percepção de juventude.

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Publisher do Portal Estética e Mercado, CEO da Beauty Connect e idealizador do Beauty Summit 360, um dos principais congressos do setor. Com mais de 25 anos de experiência na área comercial, é formado em Marketing e atuou por 10 anos como gestor de clínica. Especialista em vendas complexas no mercado B2B, dedica-se a mentorar profissionais da saúde estética, ajudando-os a potencializar seus resultados por meio de estratégias eficientes de marketing e vendas.

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