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MERCADO

Empresários no Rio criam coworking para os profissionais da saúde

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Espaço Zanama é um coworking destinado a profissionais da saúde, funciona há dois anos e abre segunda unidade em junho

 

            Em abril de 2018, num dos pontos mais tradicionais do Centro do Rio de Janeiro – bem pertinho do Largo da Carioca –, entrava em operação o Espaço Zanama (www.espacozanama.com.br) , um coworking de alto padrão destinado a profissionais da saúde. O modelo de negócio, criado pelos irmãos Rafael e Pedro Muniz, é único no país. Por meio de uma plataforma própria de gerenciamento, os membros conseguem realizar, editar ou cancelar suas reservas de forma rápida, usando celular, tablet ou computador.

No Espaço Zanama o profissional tem à sua disposição salas, equipamentos e toda estrutura que uma clínica de alto padrão oferece, sem precisar se preocupar com condomínio, conta de energia e funcionários.

O negócio deu tão certo que o Espaço Zanama abre sua segunda unidade no dia 13 de junho e passa a operar também no Shopping Downtown, na Barra da Tijuca. É claro que a crise trazida pela pandemia afetou bastante o negócio, mas não o suficiente para intimidar Rafael e Pedro. Eles contam nesta entrevista como estão contornando a crise e revelam os planos de como pretendem continuar de mãos dadas com o sucesso.

Estética e Mercado – Como nasceu a ideia de criar o Espaço Zanama que, até onde sabemos, é um coworking voltado a profissionais da saúde e da estética com modelo inédito no país e, possivelmente, no mundo?

Rafael Muniz – Trabalhamos por cerca de dois anos alugando equipamentos para profissionais da área da saúde, com um apelo maior para a área da estética. Nossa empresa trabalhava com os aparelhos convencionais como radiofrequência, criolipólise, criofrequência e outros. Isso nos deu a oportunidade de nos aproximar da realidade desses profissionais, de seus locais de trabalho e, em muitas vezes, da relação de negócios que eles possuíam com o dono da clínica em que trabalhavam, pois, muitas vezes as negociações e os contratos ficavam sob a responsabilidade do profissional que, embora não fosse o dono do estabelecimento, era quem precisava assumir os riscos da locação, se quisesse aumentar o faturamento, que por sinal, era quase que inteiramente repassado ao dono da clínica em forma de comissão. Notamos que existiam profissionais extremamente empreendedores, inventivos e que, por falta de oportunidade/capital, não tinham como se arriscar com um negócio próprio. Isso obrigava-os a seguir no esquema de subordinação e comissionamento exercido pela clínica que, em sua grande maioria das vezes, se mostrava explorador. A aproximação com os donos das clínicas também foi de grande aprendizado. Em determinados casos a nossa negociação e a assinatura dos contratos era feita diretamente com o dono(a) da clínica, que geralmente também era o profissional responsável por executar o serviço (foram poucos os casos em que encontramos um “administrador” tomando conta de uma clínica ou de um negócio na área de saúde, geralmente o dono também desempenha o papel de executor). Isso nos fez enxergar o quanto esses profissionais se desdobravam para cuidar dos atendimentos e da parte administrativa. Notamos que quando eles atendiam muito o negócio desandava na parte administrativa e, se passavam muito tempo administrando, o negócio padecia por falta de dinheiro entrando.

Foi aí que vocês viram a oportunidade de criar uma proposta diferenciada?

Pedro Muniz – Notamos que não existia um modelo de negócios orientado para auxiliar com o qual esses profissionais pudessem começar um negócio de maneira segura, escalável e de baixo custo e complexidade. Isso incluía até mesmo os que já possuíam um negócio funcionando, mas desejavam expandir para outras regiões da cidade. O que existia no mercado, e ainda existe hoje (transvestido como espaço de coworking), são clínicas/médicos que sublocam salas ociosas para ajudar na complementação da renda no final do mês. Esse modelo, por falta de um sistema de gerenciamento voltado para o profissional que está sublocando o espaço, precisa ser muito engessado para permitir que o dono do local faça tudo de maneira simples e não perca muito tempo gerenciando esses horários na agenda. Fora que, nesses casos, o profissional precisa levar seus clientes para dentro de uma clínica que não é dele, passar as informações de seus clientes para uma secretária que não é dele e, no final das contas, toda sua base de clientes acaba sendo transferida, sem que ele se dê conta, para uma outra pessoa (e ele ainda paga para isso…rs). Outro grande problema desse modelo é que não existe qualquer iniciativa do local para realmente promover o negócio do profissional que está alugando, geralmente a verba de marketing e administração é integralmente voltada para promover o dono do espaço que, se cresce muito, vai precisar utilizar os horários que está sublocando para fora (e ai, o profissional que está sublocando aquele horário passa a não poder mais) e, se perde dinheiro, precisa fechar ou se mudar (e nesse caso, o profissional que está sublocando o espaço também acaba sendo prejudicado). E claro, não precisamos nem mencionar que não existe um ‘coworking’. Não existem diversas salas com profissionais diversos atendendo e uma recepção grande onde eles possam se sentar para conversar e interagir, ampliando seu network. Muito menos qualquer sistema que estimule essa integração.

Quais foram então os pontos principais que vocês procuraram desenvolver neste modelo de negócio?

Rafael – Nossa ideia foi ir na contramão do que vimos e montar um negócio em que pudéssemos aproximar essas pessoas, gerar networking e colocar esses profissionais no centro da atenção. Tudo que fazemos é para gerar valor para o negócio desses profissionais. Desde uma estrutura de luxo com um ambiente descolado até um sistema próprio de gerenciamento de reservas que permite que o agendamento seja feito sem qualquer complicação. No Espaço Zanama todos os profissionais atendem pagando por hora e o agendamento não tem qualquer imposição nossa em relação a dia e horário. Os profissionais entram em nosso sistema e fazem suas reservas conforme sua conveniência. Escolhem o dia e o horário em que querem atender e, ao chegar no local, tudo está preparado, limpo e organizado esperando por eles. Isso permite uma agenda flexível e, consequentemente, maior capacidade de atender pessoas ao longo da semana/mês. E é exatamente essa flexibilidade de estar no Espaço em dias diferentes que permite que os profissionais se conheçam, troquem ideias, clientes, criem parcerias e etc.

2- Como foi a evolução do negócio entre a abertura da primeira e da segunda unidade?

Pedro – A evolução foi um aprendizado incrível. O negócio, da forma como foi concebido, era voltado para profissionais da estética, tanto no seu modelo, quanto na estrutura de nossas salas. Logo nos primeiros meses começamos a receber dezenas de profissionais de outras áreas querendo trabalhar conosco. Cada um trazia na bagagem uma necessidade específica em relação ao nosso sistema e algumas frustrações em relação à estrutura de nossas salas. Foi nesse momento que percebemos que, assim como existiam oportunidades para o setor da estética, profissionais de todas as outras áreas da saúde também poderiam se beneficiar do nosso modelo de negócios, contanto que fizéssemos algumas modificações em nosso sistema, operações e estrutura das salas. Foram meses de profundo aprendizado, transformando muitos feedbacks que recebíamos em planos de melhoria para os serviços que oferecíamos. Ter tido a humildade de escutar e a habilidade de nos reinventarmos foi crucial para permitir que encontrássemos um modelo estável que fosse igualmente interessante, tanto para um esteticista quanto para um cardiologista. Hoje, no Espaço, atendemos profissionais de mais de 20 especialidades diferentes. Tudo que fazemos leva em consideração os feedbacks de nossos clientes e isso é fundamental para que cresçamos no caminho certo, fazendo com que eles entendam que fazem (e são) parte fundamental do que estamos construindo. Decidimos abrir a segunda unidade após validarmos que possuíamos um modelo de negócio estável e replicável, financeira, legal e operacionalmente. A principal ideia por trás da expansão é permitir que nossos clientes possam expandir conosco, explorar outras regiões da cidade e prospectar para uma parte maior de pessoas. Nossos clientes poderão atender em ambas as unidades por meio de um mesmo contrato, isso traz uma série de benefícios e oportunidades, ao mesmo tempo em que não aumenta a complexidade do negócio e tampouco gera qualquer custo extra.

Como estavam as expectativas em relação ao mercado para 2020 antes da pandemia? O que mudou?

Rafael – Havia muitas expectativas para 2020. No ano passado, tivemos um desempenho incrível tanto que, em diversos meses, precisamos até ‘fechar as portas’ por falta de capacidade operacional para atender a demanda que recebíamos. Havia diversos projetos grandes para serem implementados em 2020 (fora a expansão) e, infelizmente, muitos precisarão ser adiados. Permanecer por mais de dois meses de portas fechadas foi um golpe duro, tanto para nós quanto para nossos clientes. Sabemos da importância e da responsabilidade que temos com a vida profissional de muitos de nossos clientes que dependem de nós para voltar às atividades (somos o único local de trabalho de vários deles). Por isso, resolvemos reabrir nossas unidades, adotando todos os protocolos de segurança possíveis para evitar qualquer tipo de disseminação da Covid-19. Essa pandemia enraizou um medo sem precedentes de sairmos de casa e isso, é claro, vai se refletir no faturamento de nossos clientes. Essa retomada será gradual e dura. Nosso objetivo no momento é auxiliar nossos clientes nessa retomada. Estamos nos preparando para um mercado extremamente debilitado e projetando uma retomada muito mais lenta do que previmos. Estamos em um momento de olhar pra dentro, arrumar a casa, sacudir a poeira, enxugar os olhos e ter esperança de que as cosias vão dar certo. O futuro está mais imprevisível do que nunca, paramos de planejar a longo prazo e passamos a nos dedicar integralmente ao agora.

De que forma o Espaço Zanama tem enfrentado os impactos da crise causada pela pandemia?

Pedro – A inauguração de nossa segunda unidade estava prevista para dia 21 de março. Fechamos por conta da pandemia no dia 18 de março. Já estava tudo comprado para a festa de inauguração que, por motivos óbvios, também foi cancelada. Foi um golpe duro, precisamos cancelar uma série de atividades, desmarcar com dezenas de convidados… Mas sabíamos que era o certo a se fazer. Os próximos dias foram de muitas incertezas. Ninguém sabia ao certo o que aconteceria, quais seriam os impactos, quando poderíamos reabrir… Então começamos a nos estruturar no sentido de cortar todos os custos e renegociar tudo que pudéssemos. Decidimos, logo de cara, que faríamos de tudo para não demitir nenhum colaborador, e assim foi feito. Aproveitamos esse período para estudar sobre nosso posicionamento após a pandemia e quais projetos (que estavam no pipeline) ainda seriam executados e quais precisariam ser descartados.

Como reverter este cenário dramático?

Rafael – Ao longo dos próximos meses faremos o maior investimento em marketing já realizado por nós, voltado exclusivamente para divulgar nossos clientes, abriremos as portas de nossa nova unidade para que nossos clientes atendam de graça ao longo de todo o mês de junho e, para aqueles que não puderem retornar (por qualquer impedimento), estamos dando a opção de trancar os contratos/mensalidade. Fora isso, estamos abrindo também uma linha exclusiva de preços incentivados para profissionais/empreendedores que perderam seus negócios durante a crise.

As atividades já estão sendo retomadas? O que muda a partir de agora na gestão do negócio e na relação com seu público-alvo?

Pedro – Sim, vamos reabrir ambas as unidades ainda em junho. A relação com nosso público-alvo e clientes não vai mudar. Sempre fomos muito próximos de todos, sempre estivemos abertos ao diálogo e sempre nos empenhamos ao máximo para garantir que todos tivessem uma experiência incrível durante o tempo que passam conosco. Isso é o que temos de mais valioso em nosso espaço e é dessa forma que continuaremos conduzindo nosso negócio.

Quais têm sido as lições aprendidas por você, como gestor, nesta crise gerada pela pandemia?

Rafael – Ficou claro o quanto pequenos negócios estão expostos a momentos de crise severos como este. Principalmente no Brasil, onde além de termos uma carga tributária elevadíssima, em tempos como o que estamos enfrentando, não vimos qualquer agilidade por parte do governo para proteger esses empreendedores. Ter um bom planejamento financeiro e caixa emergencial foi fundamental para que sofrêssemos menos durante esse período. Como espaço de coworking, temos o DNA empreendedor em nossas veias, respiramos esse ar diariamente e sempre demos muito valor aos profissionais que escolheram seguir por conta própria em um país com tantas barreiras burocráticas, legais, informativas e financeiras. O resultado econômico catastrófico dessa pandemia só reforçou o propósito pelo qual montamos nosso negócio e evidenciou o quanto trabalhar em um espaço de coworking pode fazer a diferença para empreendedores.

 

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