O mercado da estética vive uma transformação silenciosa.
Enquanto muitos profissionais seguem focados apenas em técnica, redes sociais e captação de clientes, uma nova camada de exigência começa a ganhar força dentro das clínicas: a responsabilidade jurídica e estrutural da operação.
Pacientes mais conscientes, aumento das fiscalizações, crescimento da judicialização e expansão acelerada do setor estão mudando a forma como clínicas precisam se posicionar e operar.
Hoje, não basta apenas executar bons procedimentos.
É preciso construir uma operação segura, documentada e preparada para riscos.
Durante uma mentoria da Beauty Connect, a advogada especialista em direito da saúde Leury Grangeiro Pereira trouxe um alerta importante para profissionais da estética:
“A estética é saúde.”
A especialista, que também atua como socorrista do SAMU e possui experiência hospitalar, destacou que muitos profissionais ainda não compreendem o nível de responsabilidade envolvido dentro de uma clínica.
Segundo ela, o mercado cresceu rapidamente, mas boa parte das clínicas ainda opera com fragilidades estruturais, documentais e jurídicas.
O risco invisível dentro das clínicas
Um dos pontos mais discutidos durante a mentoria foi a falsa sensação de segurança que muitos profissionais possuem ao trabalhar em:
- salas compartilhadas;
- coworkings;
- parcerias operacionais;
- locações por período.
A prática se tornou comum principalmente entre profissionais em início de carreira ou clínicas em expansão.
No entanto, segundo a especialista, existe um problema pouco debatido no mercado.
Quem cede espaço também pode responder judicialmente por intercorrências ocorridas dentro da clínica.
A responsabilidade pode atingir:
- proprietário da clínica;
- responsável técnico;
- profissional executor;
- parceiros envolvidos na operação.
Especialmente quando:
- contratos são genéricos;
- não existe individualização de responsabilidades;
- a atividade exercida pelo parceiro não está regularizada;
- há ausência de documentação adequada.
A profissionalização deixou de ser opcional
Outro ponto levantado durante a mentoria foi o crescimento das fiscalizações da Vigilância Sanitária e órgãos regulatórios.
Segundo a advogada, muitos profissionais focam apenas no procedimento e ignoram aspectos essenciais da estrutura física da clínica, como:
- regularização do imóvel;
- normas sanitárias;
- descarte de resíduos;
- acessibilidade;
- documentação técnica;
- contratos;
- habilitação profissional;
- alvarás;
- responsabilidade técnica.
Ela alertou que fiscalizações podem ocorrer sem aviso prévio e resultar até mesmo na interdição do espaço.
LGPD e privacidade também entram no debate
Outro trecho que chamou atenção durante a mentoria envolveu um caso relacionado à privacidade dentro de clínicas.
A especialista citou situações em que profissionais descobriram posteriormente a existência de gravações ou monitoramentos dentro de salas de atendimento sem consentimento adequado.
O tema conecta diretamente com:
- LGPD;
- armazenamento de imagens;
- uso de “antes e depois”;
- privacidade do paciente;
- responsabilidade civil.
Em um mercado cada vez mais exposto digitalmente, a proteção de dados passa a ocupar papel central na relação entre clínica e paciente.
O mercado da estética entrou em uma nova fase
O crescimento da estética trouxe novas oportunidades, mas também elevou o nível de responsabilidade exigido dos profissionais.
Hoje, o paciente não busca apenas resultado estético.
Ele busca:
- segurança;
- confiança;
- transparência;
- estrutura;
- respaldo profissional.
Nesse novo cenário, clínicas que desejam crescer de forma sustentável precisarão unir:
- técnica;
- gestão;
- experiência;
- proteção jurídica.
Porque o amadurecimento do mercado não está acontecendo apenas na ciência e na tecnologia.
Ele também está acontecendo na responsabilidade de como as clínicas operam.
