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MERCADO

Cuidados pessoais absorveram verbas do turismo e tiveram resposta digital rápida à pandemia, afirma Silvana Buzzi, diretora executiva da ABF

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Apesar da pandemia, 2021 foi um ano bom para o setor de saúde, beleza e bem-estar, que absorveu boa parte da verba destinada a turismo e lazer durante o isolamento.O desenvolvimento do atendimento via WhatsApp e até serviço de delivery permitiram que as franquias continuassem competitivas no mercado. A alta procura por cuidados pessoais e a rápida resposta digital manteve assim o segmento em alta, segundo Silvana Buzzi, diretora executiva da Associação Brasileira de Franchising (ABF), nossa terceira convidada da série de entrevistas de fim de ano do portal Estética & Mercado.

Dados da ABF mostram que mesmo com a crise causada pelo Covid-19 em 2020, o setor apresentou um crescimento de 0,4% no faturamento e 3,1% no número de unidades. O setor cresceu 9,1% apenas neste terceiro trimestre de 2021. De acordo com Silvana, o aumento se dá pelo desenvolvimento dos canais de venda, substituição de recursos que eram usados em outras áreas, como viagens, além da tendência do cuidado pessoal.

Silvana Buzzi, diretora executiva da ABF: “Para 2022, a expectativa do setor é continuar crescendo, principalmente pela retomada do convívio social, a abertura integral do comércio e o avanço da vacinação e seus reflexos.”

Um diferencial para que o setor se mantivesse aquecido e ampliasse o faturamento está relacionado ao aperfeiçoamento dos canais digitais de venda. As franquias passaram a se comunicar melhor por meio das redes sociais e WhatsApp, além de inovar com o uso de serviço de delivery, que antes não era comum no segmento.

A ABF atua há mais de 30 anos no mercado e possui cerca de 1,2 mil associados no país. Em entrevista para o portal E&M, a diretora executiva da associação, por meio de assessoria, trouxe dados do setor durante o período mais crítico da pandemia e as projeções do cenário em 2022. Confira os principais destaques do mercado de acordo com a nossa entrevistada da semana, Silvana Buzzi.

E&M – Durante a pandemia, como a ABF avalia o crescimento no setor de franquia de estética e saúde? Ocorreu um aumento no número de franqueados nesses segmentos ou diminuiu? A que vocês atribuem isso?

De forma geral, o segmento de Saúde, Beleza e Bem-estar foi um dos mais resilientes do setor de franquias. Mesmo em 2020, essas franquias apresentaram um crescimento de 0,4% no faturamento e de 3,1% em número de unidades. Em nosso último balanço, referente ao 3º trimestre de 2021, essas redes registraram um crescimento de 9,1% no faturamento. Esse desempenho se deve a vários fatores, mas gostaríamos de destacar o desenvolvimento de canais digitais de vendas, o consumo de substituição (o redirecionamento de recursos de outras áreas como viagens) e a manutenção da tendência do cuidado pessoal. Algumas redes de estética notaram também que muitos consumidores aproveitaram o momento de menor convivência social para realizar procedimentos mais invasivos.

E&M – A pandemia mudou o perfil dos franqueados do segmento de estética e saúde?

É um pouco cedo para fazer uma avaliação mais precisa, mas, como já ocorreu em outros momentos de economia em ritmo mais lento, cresceu o empreendedorismo por necessidade, ou seja, profissionais empreendendo como alternativa de emprego e renda. Na área de Saúde Beleza e Bem-estar é comum também a figura do multifranqueado, ou seja, aquele franqueado que administra mais de uma unidade. Muitos assumiram pontos em dificuldade durante a pandemia, contribuindo assim para a manutenção de negócios e postos de trabalho. 

E&M – Com base nos dados mais recentes, o setor já está recuperado e voltou a ser competitivo e ter mais visibilidade no mercado exterior?

Assim como o setor de franchising como um todo, as franquias de Saúde Beleza e Bem-estar vem desenhando uma curva robusta de recuperação, com a vantagem de partir de uma base menos deprimida, pois conseguiu preservar seu resultado em 2020 mesmo em um cenário tão adverso. E, de fato, houve um ganho de competitividade em dois aspectos principais: desenvolvimentos importantes em termos de eficiência e digitalização de processos e o desenvolvimento de canais digitais de vendas. Por exemplo, o segmento passou a se comunicar melhor com seu público via redes sociais e WhatsApp, realizando inclusive vendas e montando, em alguns casos, operações de delivery que ainda não eram tão comuns neste segmento. Quanto a internacionalização, de fato, houve uma diminuição no ritmo, mas gostaríamos de ressaltar que ela permanece e tende a ganhar mais corpo com a retomada da economia e com o câmbio depreciado.

 E&M – Com o aumento da inflação, os consumidores estão com o poder de compra reduzido. Diante deste cenário, quais as estratégias mais usadas pelos franqueados para driblar essa situação em 2022?

De fato, este é um desafio, mas as franquias têm investido em ganhos de eficiência para tentar compensar, pelo menos em parte, estes impactos. O desenvolvimento de produtos e serviços mais acessíveis também é outro caminho, bem como a ampliação dos canais de venda de forma a atingir públicos mais amplos.

E&M – Durante a pandemia as empresas conseguiram manter ou ter um crescimento no faturamento?

Sim. Historicamente, este segmento tem um desempenho acima da média do setor, em grande parte pela fortaleza de suas marcas (muitas estão entre as 50 maiores do setor no Brasil), pela cultura brasileira e, principalmente, pela tendência do cuidado pessoal e bem-estar que é bem consolidada no Brasil e tende a perdurar nos próximos anos.

E&M – Qual a projeção para o setor de estética e saúde em 2022 no ramo das franquias? Quais devem ser os destaques? E quais os desafios?

Para 2022, a expectativa do setor é continuar crescendo, principalmente pela retomada do convívio social, a abertura integral do comércio e o avanço da vacinação e seus reflexos. Isso se aplica ao segmento de Saúde, Beleza e Bem-estar, sendo que é sempre bom lembrar que, historicamente, costuma superar a média do setor. Quanto aos desafios, gostaríamos de destacar a inflação – que exigirá ainda mais medidas de eficiência e controle – a reconquista do consumidor, ainda bastante afetado pela pandemia, e a manutenção de um equilíbrio entre os novos canais digitais desenvolvidos e o atendimento presencial.

 E&M – Como o trabalho desenvolvido pela associação contribui para o desenvolvimento do setor de saúde e dermocosméticos? Esse papel se alterou ou teve que se adaptar ao longo dos anos?

O propósito da ABF é fomentar o franchising brasileiro, nacional e internacionalmente, para que ele se mantenha próspero, sustentável, inovador, inclusivo e ético. Fazemos isso por meio da capacitação de pessoas em diversos cursos presenciais e on-line, do estímulo à inovação, da disseminação das melhores práticas por meio de eventos e congressos, da representação junto às diversas instâncias públicas e divulgação dos resultados do setor, dentre outros. Destaque também para as feiras de franquia, cuja edição de São Paulo, por exemplo, atrai mais de 60 mil pessoas, e a realização de missões internacionais nas quais temos contato direto com mercados mais maduros, como os EUA e a Europa, ou em ascensão, como a China. 

Promovemos ainda o Selo de Excelência em Franchising (SEF), principal chancela do setor concedida por meio de pesquisa exclusiva com os franqueados da rede. Essas atividades se aplicam a área de saúde e dermocosméticos, sendo que a entidade dispõe ainda de uma comissão de Saúde, Beleza e Bem-estar formada por redes desta área para discutir os desafios e tendências, além de trocar experiências.

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