Após registrar receita trimestral recorde de US$ 70,2 milhões, fabricante sul-coreana aposta em inovação, educação continuada e suporte às clínicas. Em entrevista exclusiva ao Portal Estética & Mercado, Andrea Gaeta, CEO da Classys para Brasil, Argentina e Colômbia, analisa o potencial do mercado brasileiro e as tendências da estética médica.
O Brasil ganhou protagonismo na estratégia de expansão internacional da Classys, fabricante sul-coreana de tecnologias médico-estéticas. Após registrar o maior faturamento trimestral de sua história, a companhia direciona sua atenção ao fortalecimento das operações na América do Sul, com o mercado brasileiro ocupando uma posição estratégica nesse movimento.
No segundo trimestre de 2026, a Classys alcançou receita global de US$ 70,2 milhões, crescimento de 26,7% em relação ao mesmo período de 2025 e de 21% na comparação com os três primeiros meses deste ano. Foi a primeira vez, desde sua fundação em 2007, que a companhia ultrapassou a marca de US$ 70 milhões em receita trimestral.
A operação sul-americana, que inclui Brasil, Argentina e Colômbia, contribuiu com aproximadamente US$ 10 milhões para a receita consolidada do período. O resultado reflete também a ampliação da consolidação contábil das operações regionais, iniciada em 2026.
Mais do que os indicadores financeiros, o movimento evidencia a importância atribuída pela fabricante ao mercado latino-americano e levanta uma questão: o que torna o Brasil tão relevante para os planos de crescimento das empresas internacionais de tecnologia estética?
Por que o Brasil se tornou estratégico para a Classys?
Para Andrea Gaeta, CEO da Classys para Brasil, Argentina e Colômbia, a relevância brasileira está relacionada à combinação entre a maturidade do mercado, o comportamento dos consumidores e a qualificação dos profissionais de saúde.
“O Brasil ocupa uma posição estratégica na expansão global da Classys. O país reúne um mercado de estética desenvolvido, consumidores cada vez mais interessados em autocuidado e profissionais de saúde reconhecidos pela sua qualificação técnica e experiência clínica”, afirma a executiva, em entrevista exclusiva ao Portal Estética & Mercado.
Segundo Andrea, esse ambiente favorece a adoção de novas tecnologias e a evolução dos tratamentos estéticos, criando oportunidades para o desenvolvimento de relações comerciais de longo prazo.
A presença regional da companhia é conduzida pelo Grupo MedSystems by Classys, que atua nos mercados brasileiro, argentino e colombiano e informa manter uma rede de mais de 15 mil clínicas parceiras.
A Classys também vem ampliando sua estrutura operacional. Entre março e junho de 2026, o quadro de colaboradores da operação sul-americana cresceu 24%, segundo dados divulgados pela empresa.
Globalmente, a fabricante alcançou aproximadamente 48 mil equipamentos comercializados e instalados até junho, incluindo tecnologias como a linha Ultraformer, baseada em ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU), e o Volnewmer, de radiofrequência monopolar.
Inovação, educação e proximidade com as clínicas serão prioridades em 2027
Com a América do Sul incluída entre as prioridades globais de crescimento, a Classys já definiu as principais diretrizes para o próximo ano.
De acordo com Andrea Gaeta, a estratégia para 2027 está estruturada em três pilares: inovação tecnológica, educação continuada e fortalecimento do relacionamento com os clientes.
Na frente de inovação, a empresa pretende continuar desenvolvendo soluções que contribuam para aprimorar a experiência dos pacientes e os resultados dos tratamentos, respeitando as indicações específicas de cada equipamento.
O segundo eixo está relacionado à capacitação dos profissionais, uma questão que ganha relevância à medida que novas tecnologias e protocolos passam a integrar a rotina dos serviços de saúde estética.
“Acreditamos que a evolução tecnológica deve caminhar junto com a capacitação dos profissionais de saúde, promovendo o conhecimento sobre os equipamentos, os protocolos e as melhores práticas de utilização”, destaca Andrea.
A terceira prioridade será ampliar a proximidade com as clínicas, por meio de suporte técnico, capacitação e acompanhamento da utilização das tecnologias.
A proposta sinaliza uma estratégia que vai além da comercialização de equipamentos, incorporando serviços de apoio à operação e ao desenvolvimento técnico dos clientes.
Para 2027, a companhia pretende fortalecer sua presença no mercado brasileiro por meio da combinação entre inovação tecnológica, capacitação profissional e relacionamento de longo prazo com médicos, clínicas e parceiros.
Naturalidade, prevenção e tratamentos combinados devem ganhar espaço
Além da expansão comercial, a Classys acompanha mudanças no perfil da demanda por procedimentos estéticos.
Segundo Andrea, a atenção à qualidade da pele, ao envelhecimento saudável e à prevenção está entre os movimentos observados pela companhia.
A busca por resultados naturais também aparece como uma tendência, acompanhada de maior interesse por abordagens personalizadas, que considerem as características individuais de cada paciente.
Outro movimento identificado pela executiva é a utilização de tratamentos combinados, envolvendo diferentes tecnologias e abordagens terapêuticas.
“A busca por naturalidade também ganha relevância, com tratamentos que respeitam as características individuais de cada paciente e valorizam resultados equilibrados e personalizados”, afirma.
Na avaliação da companhia, essas mudanças criam oportunidades para o desenvolvimento de novas soluções, mas também aumentam a importância da capacitação e da indicação clínica adequada.
A combinação de procedimentos, por exemplo, exige avaliação individualizada, conhecimento das tecnologias utilizadas e observância das indicações e contraindicações aplicáveis.
O que a expansão internacional representa para o mercado brasileiro?
A decisão da Classys de fortalecer sua presença na América do Sul reflete um movimento de internacionalização das fabricantes de tecnologias médico-estéticas, em um setor marcado pela evolução dos equipamentos e pela diversificação dos tratamentos.
Para as clínicas, a maior presença de fabricantes internacionais pode ampliar o acesso a tecnologias, treinamento e suporte especializado. Entretanto, a expansão da oferta não representa, necessariamente, maior rentabilidade para os estabelecimentos.
A incorporação de equipamentos exige decisões que considerem demanda, custos operacionais, qualificação da equipe e viabilidade financeira.
Nesse contexto, a educação continuada e o suporte técnico, destacados pela Classys, tornam-se elementos relevantes tanto para a segurança dos procedimentos quanto para a utilização adequada dos investimentos realizados pelas clínicas.
A estratégia da companhia também evidencia uma mudança importante na relação entre fabricantes e profissionais: o valor oferecido ao mercado passa a envolver não apenas a tecnologia, mas a estrutura de conhecimento e atendimento que acompanha sua utilização.
Perspectivas para 2027
Com operações em mais de 80 países e a América do Sul entre suas prioridades de crescimento, a Classys pretende consolidar sua presença internacional combinando inovação e relacionamento com os profissionais de saúde.
Para Andrea Gaeta, a evolução do setor deve estar acompanhada de responsabilidade técnica e conhecimento científico.
“Para nós, o avanço do setor deve combinar inovação, conhecimento científico, segurança e uma experiência cada vez melhor para pacientes e profissionais”, conclui.
O desempenho financeiro da fabricante e suas prioridades para 2027 indicam a relevância do mercado brasileiro na estratégia de uma das companhias internacionais de tecnologias médico-estéticas.
Ao mesmo tempo, reforçam uma discussão que tende a ganhar espaço no setor: em um mercado com oferta crescente de equipamentos e tratamentos, a diferenciação das clínicas dependerá não apenas do acesso à inovação, mas da capacidade de utilizá-la com segurança, planejamento e sustentabilidade econômica.
